Baleia franca em Imbituba: quando aparece e onde ver

Baleia franca em Imbituba: quando aparece e onde ver

Para ver baleia em Imbituba você não precisa de barco. Aliás, não deveria procurar um: o passeio embarcado para observar baleias está proibido pela Justiça dentro da APA da Baleia Franca há mais de dez anos. A observação é feita da terra, do alto de um costão ou da própria areia, e funciona porque as baleias-francas nadam muito perto da costa, principalmente as mães com filhote.

Este é o guia que eu daria a um hóspede que chega no inverno querendo ver as baleias: quando vir, onde ficar de olho, o que levar e o que não fazer.

Por que elas vêm para cá

A baleia-franca-austral passa o verão em águas frias perto da Antártida, onde se alimenta. No inverno, as fêmeas sobem para o litoral do Sul do Brasil para ter os filhotes e amamentá-los em águas mais quentes e protegidas. As enseadas do litoral centro-sul de Santa Catarina, entre Florianópolis e Laguna, estão entre as áreas preferidas, e muitas mães ficam dias ou semanas na mesma baía com o filhote.

É um animal enorme. Um adulto pode chegar a 17 metros, mais que um ônibus, e não tem barbatana nas costas, o que ajuda a reconhecê-lo de longe. Na cabeça, ele tem calosidades esbranquiçadas, uma espécie de casca rugosa. O desenho delas é diferente em cada baleia, e é por ele que os pesquisadores identificam cada animal e sabem quando a mesma fêmea volta anos depois.

A história com Imbituba é antiga e nem sempre bonita. A região foi ponto de caça à baleia desde o século 18, e a caça no litoral catarinense só parou em 1973. A espécie quase desapareceu do Brasil. Desde então ela vem se recuperando aos poucos: cada fêmea tem um filhote a cada três ou quatro anos, e a baleia-franca ainda está na lista nacional de espécies vulneráveis. Em 2010, uma lei federal (Lei 12.282) deu a Imbituba o título de Capital Nacional da Baleia Franca.

Quando ver

A temporada vai de julho a novembro, com pico em setembro. Segundo o Instituto Australis, que monitora a espécie no litoral catarinense há décadas, o melhor período para ver mais baleias na APA vai da segunda quinzena de agosto à primeira quinzena de outubro.

Isso é a média, e as baleias não leem calendário. Em 2026, o primeiro avistamento da temporada foi em maio, e o primeiro filhote apareceu em junho na Praia de Itapirubá Norte, em Imbituba, semanas antes do normal. Em agosto, o Instituto contou 173 baleias em um único dia entre Florianópolis e Torres, no Rio Grande do Sul.

Mesmo no pico, ver baleia não é garantido em um dia específico. Elas podem estar na baía ao lado, o mar pode estar grande demais para enxergar o sopro, pode chover. Por isso o conselho que mais se repete entre quem mora aqui é ficar pelo menos dois ou três dias. Quem vem só para um bate e volta de sábado corre o risco de voltar sem ver nenhuma.

Onde ver, perto da Praia do Rosa

A regra geral é procurar um ponto alto com vista para uma enseada. Do alto do costão você enxerga muito mais longe e vê a baleia inteira quando ela sobe para respirar.

Os costões da Praia do Rosa. Tanto o canto norte quanto o canto sul do Rosa têm pedras e morros com vista para a baía inteira. Muitas vezes as baleias ficam dentro da própria enseada, e dá para vê-las da areia mesmo.

A trilha do Mirante do Luz. Liga o Rosa Sul à Praia do Luz pelo costão, em cerca de 25 minutos em cada trecho, sem contar as paradas. É uma das trilhas com melhor vista do mar aberto, e uma das mais bonitas para fazer nessa época. Leve água: a Praia do Luz tem pouca estrutura, e parte dela só abre no verão.

Praia do Luz e Ibiraquera. Os morros e as dunas entre a Praia do Luz e Ibiraquera são outro bom ponto. Nas dunas, entre só pelos acessos permitidos: elas são área protegida e a vegetação segura a areia.

Praia de Itapirubá Norte. Mais ao sul de Imbituba, é onde fica o Centro Nacional de Conservação da Baleia Franca, com um deck de observação do Instituto Australis e gente da equipe para orientar. A visita precisa de agendamento, obrigatório para grupos de mais de dez pessoas. O site do Instituto também tem um mapa com os avistamentos recentes, que vale olhar antes de escolher para onde ir no dia.

Praia da Vila e Ribanceira. No centro de Imbituba, são pontos tradicionais de observação e uma boa opção para combinar com um passeio pela cidade.

O que levar e como procurar

Um binóculo faz muita diferença. O Instituto Australis recomenda o 10x50, que aumenta bastante sem tremer demais na mão. Sem binóculo você vê a baleia; com ele você vê o filhote ao lado da mãe.

Os melhores horários são o começo da manhã e o fim da tarde, quando a luz é mais baixa e o mar costuma estar mais calmo. Dia de pouco vento e mar liso é o ideal: qualquer movimento na água aparece.

O que procurar:

  • O sopro. É a primeira coisa que se vê de longe, uma nuvem de água que sobe alguns metros. O da baleia-franca tem forma de V, porque ela tem dois orifícios respiratórios bem separados.
  • As costas escuras e lisas, sem barbatana, aparecendo e sumindo devagar.
  • A cauda levantada antes de um mergulho mais fundo.
  • Os saltos. Os filhotes são os que mais saltam para fora da água, mas os adultos também saltam, e o barulho se ouve de longe.

E paciência. Escolha um ponto, sente, e olhe a enseada inteira devagar por meia hora. Quase sempre a primeira baleia aparece quando alguém do grupo já ia desistir.

O que não fazer

As baleias-francas chegam perto da praia porque procuram águas calmas para cuidar dos filhotes. A mãe com filhote é protetora, e o estresse atrapalha a amamentação.

  • Não nade, não reme e não vá de kite em direção às baleias. Vale para prancha de stand-up e caiaque também. Se uma aparecer perto de você na água, afaste-se devagar.
  • Desconfie de passeio de barco para ver baleia dentro da APA. A atividade está suspensa por decisão judicial e, até agora, não voltou.
  • Drone tem regra. Aeronaves precisam ficar a pelo menos 100 metros de altura sobre as baleias, e o uso na APA segue as normas do ICMBio. Na dúvida, não voe.
  • No costão, silêncio e atenção às crianças. O ponto de observação é de todo mundo, e pedra molhada escorrega.

Inverno no Rosa: o que mais fazer

A temporada das baleias coincide com a época mais seca do ano em Imbituba e com o Rosa vazio. Faz frio, com mínimas de 14 °C em julho e agosto, mas o céu limpo é comum, e os dias são bons para trilha, para almoço demorado e para o pôr do sol na Lagoa de Ibiraquera. Também é baixa temporada, o que deixa as diárias bem mais em conta que no verão.

Aqui na Serena Coast House, em Ibiraquera, a 5 minutos de carro da Praia do Rosa, a gente recebe hóspedes em dois lofts para até 3 pessoas cada, com cozinha equipada, café da manhã e estacionamento, e o seu pet pode vir junto. Para as noites frias da temporada, tem fogo de chão para ficar em volta depois de um dia procurando baleia. A diária começa em R$ 300 na baixa temporada, justo na época das baleias. Veja o que tem na pousada e as fotos dos lofts, ou mande as suas datas pelo WhatsApp. Mais sobre a pousada na página da Serena Coast House.

Juliana Ritter

Anfitriã da Serena Coast House, pousada com dois lofts em Ibiraquera, Imbituba, a 5 minutos de carro da Praia do Rosa.